"Paixão é chama acesa
Profusa e efêmera
Que arde ao se apagar.
Paixão é fogo que incendeia,
É brasa que fere e queima
Com fervor todo o fulgor.
Faz do dia uma eterna nuvem cinza
Da noite uma penumbra esmaecida
Ofuscada pela solidão." - Carlos André de Jesus
- ir a pé? Eu olho o horizonte e só vejo deserto infindo, quanto tempo vai levar? quantos dias de viagem? - Havia eu perguntado a Lancea.
- Por incrível que pareça a viagem será mais rápida do que imagina. Nosso conselho é em Jerusalém, a divina Jerusalém, a princesa de Deus, cidade de luz e pedras preciosas. - Respondeu-me.
Enquanto caminhávamos questionei sobre porque não sabíamos se estávamos nos controlando ou sendo controlados:
- Esse dilema da demotéica, essa conspiração, tem solução?
- Tudo que sabemos é que enquanto não machucamos outros, estamos no lado certo. Mas questionamos se há uma guerra iminente no futuro, pois cometemos vários erros.
E continuou:
- Você lembra de Feigenbaum, o cara que fez a sua máquina do tempo? Então, o que ele descobriu nós usamos até hoje também para tentar mapear a maldade numa espécie de ordem comportamental com algoritmos afim de banir o mal. E eu estou lhe levando ao conselho pois tu fostes escolhido para ser uma espécie de inquisidor de todas as realidades paralelas. Agora, por enquanto, tente não pensar e se concentre na caminhada que logo chegaremos.
Não tinha entendido o porque Lancea cortou o assunto, mas logo fiquei quieto e pensativo, acompanhando-o. Então conforme o tempo passava minha concentração melhorava e meus sentidos ficavam mais aguçados, então ele falou:
- Estás no caminho, continue a concentração com mais vontade, tente cegar todos os sentidos e apenas sentir nosso movimento e o tempo.
O que eu não esperava começou a se realizar depois de algum bom tempo caminhando, tudo ficou translucido e do além parecia aparecer um cubo que saíra da minha testa e se projetava quase que invisível no horizonte e em seguida aos poucos perdia a translucidez e se aproximava.
Já não sabia, e não me perguntem quanto tempo levou, fora perdida essa noção, mas lembro-me bem que em uma das partes, o chão deixou de existir e é como caminhar no espaço com estrelas em toda parte e a mais bela construção a vista, uma cidade de cristal no meio do espaço. Essa era Jerusalém, a princesinha de Deus, como Lancea hávia dito.
O que não percebera e só depois de muitos anos descobri, é que a Jerusalém está a poucos passos de nós, bastava apenas me concentrar e obstante estáva de frente dos portões de pérolas e sobre várias pedras preciosas. E enquanto nos aproximávamos daquela cidade translucida, seus enormes portões se abriam. Mas parecia tão absurdo como se esconder no ponto cego de um pássaro que só enxerga as laterais.
Ao mesmo tempo já não me enxergava ou mesmo via Lancea Sanctum que estava ao meu lado. Tudo que via além dos portões se abrindo era a luz que emanava do fundo da cidade com o castelo e no fundo o trono da rainha Jerusalém com ela toda onipotente. Era ela a quem eu devia ouvir e ser aconselhado. Ao chegar defronte a Esposa de Deus, logo...

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