quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Uma história de um pensamento livre - Capitulo 1 - Começo da história
Jair, jovem ainda quando tudo acontecerá. Mas antes de contar-lhe isto, vamos conhece-lo.
Era um rapaz que não chamava atenção das pessoas pela sua aparência e nem pela sua presença. Fechado, tinha amigos mas introspectivo, pelas desigualdades que via ao seu redor. Era difícil encontra-lo sorrindo, apenas quando conseguiam lhe tirar a atenção de seus pensamentos, mas não significava, nem aparentava, que não se sentia feliz ou infeliz. Estava assim pensando, sempre olhando para o infinito, pensando, como o mundo poderia ser melhor.
Achava meio mesquinha, medonha, a sociedade, fútil demais para seu gosto e o sistema em sua forma totalmente egocentrista. Mas não que Jair também não fosse egoísta em certo grau, só não considerava este defeito nele. Ao mesmo tempo, admirava tudo ao seu redor, como existia harmonia, qualidades e coisas tão belas meio a tantos defeitos.
Estudante de física, buscava responder para si de forma técnica as questões sem resposta como a existência, porque estava ali vivendo, porque era daquela forma, efim, queria uma razão, um número ou algo que pudesse entender. Procurava também além das respostas, soluções. E como toda boa pessoa faz, soluciona.
Seu histórico pode ser muito parecido com o teu leitor, de momentos tristes e felizes, também com teus sentimentos, pois todos o temos. Vamos então supor que Jair viveu o que tu, leitor, viveu. Mas ele direcionou seus estudos diferentes do teu.
Deixo a primor, nesta parte que o leitor coloque-se no primeiro momento de consciência de Jair após ver-se em uma vastidão escura.
Adoraria evoluir o pensamento, mas não te induzirei a ausência do pensar com meus pensamentos. Mas deixo-te com a mais pura imaginação. Em breve retorno com a continuidade.
A grosso modo esta era a personalidade de Jair.
Jair, após terminado de se formar, passou muito tempo procurando emprego e quando conseguia, não sentia-se tão bem. Era notável o quão difícil era ter oportunidades com tanta concorrência. Nada foi fácil para ele, como é para nós.
Mas certo dia, conseguira uma bolsa de mestrado e uma vaga de emprego no ramo de pesquisa, ficou entusiasmado e seu único objetivo daquele momento era a pesquisa. Recebia muito pouco, como toda bolsa da área, mas sabia do bem que se tratava, mesmo com auto sacrifício, de seu bem estar e de luxo naquele momento.
O projeto de pesquisa em que estava envolvido era de singularidade. Mas não haviam apenas pesquisas, após resultados completos seriam feitos testes, simulações e comprovações dos estudos previstos. O interessante é que Jair tinha facilidade, ambição e gosto por aquela disciplina, passava o dia inteiro no laboratório, estudando e evoluindo os estudos. Era o prodígio do grupo. A cada dia, avançavam meses de estudo se comparado a sua ausência.
E terminara os estudos, cálculos. Partiram então para o inicio das simulações. E não muito antes de iniciarem as simulações, acontece-lhe uma tragédia, comum a muitos de nós, Jair é deixado de fora da pesquisa, fora demitido.
Se sentiu usado, injustiçado, como acontece com todos nós em algum tempo de nossas vidas. Ficará tão revoltado e com tanta raiva dos seus antigos colegas de trabalho, estes também morriam de inveja de Jair por ter feito boa parte dos cálculos sozinho, que não quis deixar aquilo de graça. Não deixaria que fosse jogado como lixo para fora de algo que ele tanto se esforçou em ver crescer. E no mesmo dia, enquanto arrumava suas coisas em caixas, que ficavam no laboratório, decidiu em pensamento:
- Vou sair daqui, com tudo que é meu e mais um pouco já que têm tudo que tenho também.
Estava nesse tempo escolhendo um horário para voltar ao laboratório, quando ninguém mais estivesse lá e ele mesmo sozinho e concluir toda pesquisa. Era isso, o plano estava feito, queria sorrir, mas sabia que tinha que fazer cara de inconformado e revoltado, como antes estava. Foi para casa.
Chegando próximo da virada da noite, sabia que tal horário não estaria mais ninguém lá, e foi, decido ao menos ver que fim daria seus estudos. Não se tratava de inveja, raiva ou injustiça feita a ele, se tratava de ambição, de buscar conhecimento e responder aquelas perguntas que buscava desde o inicio da sua infância.
Após entrar, com as luzes acesas e todas as maquinas funcionando, Jair adiciona um algoritmo que não havia passado ao grupo ainda e acrescenta ao simulador. E neste algoritmo ainda continua códigos para autodestruição do código, para que não houve rastros que algo fora modificado.
O enter fora clicado, as maquinas começam a funcionar, o som aumentando gradativamente enquanto gira a chave de potencia analógica. E não demorou muito, no momento que chamou a atenção dos seguranças ao redor do laboratório, com o som alto e as luzes, tudo apaga e som diminui gradativamente.
Os seguranças ao entrarem na sala, após acenderem a luz, nada encontram de anormal no laboratório apenas Jair não se encontrava mais.
- "Aonde está ele? Alguém o viu sair?" Questionava um dos seguranças
Aonde fora Jair? Se jogou para antes de tudo, para antes mesmo do tempo. Pois lá, só havia o vazio, que impossibilitava o nascimento dele, o tempo. Era necessário tal que algo a mais no vazio e foi para lá que Jair se mandou.
Continua, mas antes de ler, peço-lhe um tempo para se colocar nessa imensidão que preencheu o vazio, a mente de Jair. Imagine-se só em um local sem fim, sem cor, sem chão, sem nada. E após pensar um bocado, convido a continuar lendo a próxima parte.
