quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Segundo dia de reviravoltas - Décimo primeiro episódio



"Eu vos direi 
Amei para entendê-las 
Pois só quem ama pode ter ouvidos 
Capaz de ouvir e entender as estrelas." - Olavo Bilac


Fora ali depois de algum tempo que me veio a primeira reviravolta inesperada. Através do globo que me circundava e já não mais queria sair daquele lugar, com medo e completo temor da vida, uma mulher que passará na rua me olhou. Eu achei aquilo estranho, mas ela me olhava com olhos fixos, como se minha invisibilidade não fizesse diferença alguma. Achei no por algum momento que ela estava olhando para outra coisa, mas a duvida voltava quando o olhar dela parecia estranho. E foi que ela entrou no beco e começou a se aproximar cada vez mais de mim. Então não tive duvidas que me via. Gritei.


- Sai daqui!

E ela se aproximava mais ainda.

- Saia, eu não quero ninguém. E continuava a responder.

E ela se aproximava mais e mais. Até que atravessou meu globo, se abaixou e me disse:

- Tudo bem, vai ficar tudo bem. Não precisa ter medo.

E me olhou de uma forma mágica que me fez parar e num instante meu delírio tinha-se passado. Ela me olhava com uma face de caridade, com uma expressão de puro amor e carinho materno. Eu naquele momento já não sabia mais onde estava ou como aquilo podia ter acontecido. Num piscar de olhos ela mudou tudo o que sentia e me fez ficar bem, minhas forças voltaram, tudo estava tranquilo. Como se tivesse mudado da água para o vinho, me levantei e perguntei:

- Quem é você? Por que me fez isso?

E ela apenas agradeceu, me pediu desculpas e foi embora rapidamente. Me senti desconfortado e sem saber o que fazer. Aquela forma amorosa de me cuidar, de forma tão simples me desconsertou, desarranjou-me o pânico, o delírio e transformou em plenitude e serenidade. Não consegui perturba-la para questionar como ela tinha feito aquilo. Fora um momento mágico na minha vida que mal sabem o quão mudou o meu destino.

Dali questionei o que fazer, será que precisava dormir, descansar, mesmo sem ter como pagar por uma cama. Apesar de ter treinamento militar, me importava com o mínimo de conforto e aquilo que estava vivendo nada se parecia com isto.

Um pouco perdido mas quase que por completo e sob efeito daquela magia, decidi caminhar e não pensar mais, apenas caminhar que quem sabe em algum momento me surgiria alguma ideia. E quando saí do beco, não encontrei mais aquela mulher, havia sumido. Pensei, que se dane, eu não vou roubar, só que pagarei depois minha estadia, afinal, posso viajar no tempo, então só precisarei dar alguns golpes e depois posso conseguir um jeito de repor o prejuízo que causei. Me senti seguro para aqui e fui me hospedar em um hotel, que por sorte, naquele lugar, ainda se chamava hotel.

Falava hotel paras as pessoas que passavam na rua e um deles, um homem velho, me indicou com sinais, como se estivesse jogando jokenpô, batia numa das mãos, colocava um número e apontava a direção, esquerda ou direita e logo notei que queria dizer em quadras. Então fiz um sinal de círculos para trás e ele com sinais repetiu tudo de novo. Ainda bem que entendia o mínimo de sinais, e ele também. Me falou que a cinco quarterões dali, entre esquerdas e direitas, encontraria um hotel.

Me dirigindo para lá, pensei que pouco me importava dormir ou não dormir, aquele mundo ou minha vida não estava mais nas minhas mãos, eu era apenas um agente controlado e entendi o sentido real da Demoteica, era seguir ordens com paciência e calma, mas sem levar tudo muito a sério, com naturalidade pois tudo estaria em boas mãos no final das contas. Mesmo sabendo que alguma missão eu teria que cumprir, por algo difícil eu sei que teria de passar.

Chegando no hotel, não era um lugar luxuoso mas acreditei que minhas roupas diferentes o fizeram não questionar a entrada, talvez acreditaram que eu tinha dinheiro ou talvez foram induzidos a não me pedir, enfim... Após pegar meu quarto e me deitar, pensei sobre Lancea e tive uma quase revelação, pelo menos tinha quase certeza. Ele sabia meu futuro e eu devo ter feito alguma coisa importante nele que o fez vir até mim. Era um laço temporal que estava se iniciando, só me questionei, que tal coisa tão importante eu faria.

Passado um tempo meio que confuso fui tentando dormir. Me deitei e esperei lentamente o sono chegar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Primeiro dia sozinho - Décimo episódio



"Se me perguntar quem sou eu, 
Acho que responderia, apenas sonhadora...
Criaram tantas profissões, tantos títulos,
Que fica difícil listar e concluir O QUE nós queremos ser...
Os sonhos foram limitados, e nos perguntam o que vamos ser da vida?
Dentro das opções que cabem na nossa vida.
Ora, quem gostou dessas opções foram vocês e não nós.
Engessaram os sonhos em diplomas,
Intitularam os amores em jóias" - Gabriela A. Bauer

Lancea disse que eu teria mais poderes então fui tentando imaginar que tipos de poderes seriam. Pelo que tinha entendido naquela época bastava usar o pensamento, que meus poderes obedecem meu pensamento. Aí questionei o limite disto, eu não era um cara lá criativo, e se meu inimigo fosse mais inteligente... vou ter muitos problemas e ele avisou que eu sofreria bastante. Ainda aquela cidade de luz que parece que estou lá e aqui sem ao menos entender alguma outra coisa que ela me dizia, parecia uma eternidade. Todas estes pensamentos vieram a mim enquanto caminhava pela cidade procurando um local para observar.

Eu era um estranho por lá, a cidade dominada por indígenas ocidentalizados, era bem diferente do que costumara viver. Até as pessoas me olhanvam de uma forma diferente da do comum. Era outro universo, outro mundo, minha postura e costume eram bem diferentes do que estavam ao redor. Mas após uns minutos de caminhada cheguei a uma praça e encontrei um banco vazio para me sentar e observar aquele mundo diferente que vira. Sentei e fui a pensar.

Bom, já que tenho agora poder sobre o tempo, como eu faço para não sair pulando de universo a outro. Ir direto para o futuro do mesmo universo? Fora uma questão interessante que demorei algum tempo para entender. Muito mesmo tinha a ver com a constante de duplicidade de Feigenbaum. Descobri que se eu olhasse para o inicio do universo e sua expansão como meias laranjas se atravessando e viajasse ou fosse mais rápido no tempo em que a luz da história que dividiu dois universos, então, eu mudaria de realidade. Se fosse lentamente ou no limiar de uma modificação história, a velocidade com que meu globo girasse determinaria para qual universo iria. Mas isto era um problema sério de tempo, pois para me manter em um universo, indo para quaisquer direção eu teria ou que viajar próximo a velocidade da luz ou se voltasse ao tempo, não ultrapassar a luz propagada pela história daquele universo. Nos dois casos eu teria de esperar muito tempo parado e vi que era um pouco sofrido demais viajar no tempo de modo a me manter no mesmo universo. Mas como histórias diferentes se encaixavam ou se cruzavam em tecnologia só me vem a antropologia em mente, é da vontade do homem evoluir. Pelo jeito eu vi que seria sofrido ou pelo menos teria que arrumar algum mecanismo para viajar rápido para o mesmo universo, mas ainda assim percebi a entropia de que os universos convergiam de um mesmo passado principal. Deixei isso de lado por um tempo, apesar de ter quase certeza que haveria de ser assim.

Então sentado no banco daquela praça, olhando ao redor para ver que momento eu passaria despercebido, acionei meu globo temporal. Resolvi testar a ausência de velocidade. Fui fazendo pressão no corpo e descobri que quanto maior a pressão que fazia em mim, mais rápido o tempo passava. Então relaxei, queria ver como é observar o universo quase parando.

Além de relaxar fui ficando cada vez mais concentrado, precisava me concentrar e ficar imóvel para que pudesse observar bem o mundo indo para o futuro cada vez mais lentamente. Foi aí que me surpreendi pois deveras o mal existia. Uma das pessoas que passava pela rua, fechada, franzindo seu corpo, bom, como explicar.. conforme a frequência de velocidade diminuía, e enxerguei o mundo a mais de vinte e quatro quadros por segundo, notei que naquele homem se formava uma cabeça sussurrando seu ouvido muito rapidamente e sumia e logo depois re-aparecia em outros quadros. Pelo que me pareceu, aquilo era maldade, quem tem o direito de sussurrar no ouvido de alguém sem seu consentimento? Estava alí o que eu precisava descobrir, o que era aquele vulto e se o vulto era bom ou mal, afinal, mal sabia os motivos daquele homem estar tão fechado e franzido. Mas entendi que uma das formas que esses demônios poderiam usar seria os 'flashes' temporais que o olho humano não captava, era perfeito, aparecer em um espaço de tempo imperceptível aos olhos humanos seria o mesmo que estar invisível.

Fiquei muito intrigado com o que vira, mas não podia tomar nenhum partido naquele momento, eu ainda não sabia o que fazer e meu método de viajar no tempo ainda era muito lento em relação aqueles vultos. Não seria fácil para eu competir com o que eu nem sabia o que era.

Mas tive vontade ao menos de que se soubesse a linguagem que falavam naquele momento poderia entrevistar aquele homem franzido apenas para tentar tirar dele alguma pista. Decidi naquela hora voltar ao tempo normal, passar novamente numa loja de internet para descobrir uma forma de ir para Inglaterra, mesmo que tivesse que assaltar alguém para conseguir o dinheiro.

Nessa hora dei uns tapas no meu ouvido pensando que porcaria foi esta que havia imaginado.

- Mas que droga!!

Olhei ao redor de mim mesmo, fiquei irado, naquele momento sabia que aquilo não vinha de mim e sim fora um sentimento ganancioso, mas mesmo assim me questionei de onde veio aquilo, teria sido de mim mesmo? Comecei a compreender dali outro fardo. Será que teria eu que me permanecer imóvel? Será que até meus movimentos estavam comprometidos? Será que tudo que eu faço é controlado? Onde estava minha bondade, minha vontade de ajudar? Onde estava o demônio que me fez sentir aquilo? Onde eu estava? Que loucura que me veio naquele momento. Olhava para as pessoas na rua como se eu fosse um completo esquisito e parecia um surtado. Decidi caminhar numa direção, depois ficava em duvida e decidia voltar a loja, mas só por curiosidade. Aquilo foi me deixando doido, precisava ver Lancea o quanto antes, estava ficando com medo de tudo.

Ainda pouco tempo passado me questionei como eu faria para me sustentar naqueles três dias? Ora, eu não tinha dinheiro, não tinha aonde dormir, eu teria que roubar? Que loucura... cadê aquele cara para me ajudar. Liguei imediatamente meu casulo temporal com medo do que podia acontecer e pouco me importei com as pessoas ao redor, precisava me proteger e de alguma forma me acalmar.

Saí correndo dali, já não tinha fome ou vontade de qualquer outra coisa, simplesmente saí correndo, apenas querendo estar invisível e em pânico me escondi em um beco escuro da cidade.

domingo, 7 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Um novo Titor - Nono episódio



"Ser feliz não é ter uma vida perfeita,
mas deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar o autor da própria história" - Abraham Licoln

Não passou um minuto e já sentia a falta de Lancea. Afinal eu já não fazia mais parte daquele plano existencial, aquelas pessoas passando pela rua não sabiam que eu era e mesmo que eu pudesse dizer iria parecer muito estranho. Ali foi o primeiro fardo sentido, eu era um peixe fora d'água. Mas continuei caminhando pela cidade.

Caminhando pela cidade havia notado que não me incluía mais naquele sistema e fora tão forte aquele meu sentimento que emanava nas pessoas. Me olhavam de uma forma diferente da de antes. Sem contar que nada eu sabia daquele lugar, que ano estava e os fatos ocorridos. Esta era a parte mais interessante da viagem no tempo.

Quando se viaja no tempo ou volta-se a data de partida, os fatos ocorridos mudam, mas dependendo da sorte, as mudanças são suteis. Como a presidência de um país mudando apenas o candidato eleito, as leis levemente diferentes, uma garota que se via com um namorado agora estaria namorando o concorrente. Outras vezes é tão intensa a diferença que o local chega a ser hostil e selvagem, ou até mesmo a cultura conservadora e com alta tecnologia. Era lenda entre nós soldados viajar para o futuro e encontrar uma sociedade completamente igual a de partida. Mas eu gostaria de ter voltando a um lugar Egípcio, pelo menos no estilo do antigo Egito, provavelmente seria muito hostil.

Toda essa verdade é provinda da teoria do espelho quebrado de Richard Berendzen, que implica que mundos iguais em determinado momento, pela teoria do caos se modificariam entre si numa analogia a um espelho quebrado, a realidade muda com mudanças sutis. Mas dependendo de quando o espelho se quebrou a mudança se torna grotesca. Com a ideia de viagem no tempo esta verdade fica ainda mais caótica.

E tudo isso junto me fez sentir uma falta tremenda de Lancea Sanctum. Mas por aquele momento, tentei ter uma vida normal. Andando pela rua, aquela cidade parecia americana. Mas o engraçado é que falavam a língua dos indígena apache e a grande maioria parecia ser indígena. Só que a arquitetura ainda era ocidental. Essa é a estranheza de viajar no tempo, é bizarro.

Outra coisa ruim é que não se consegue lucrar com isto, a não ser que tenha tempo para viajar infindas vezes até encontrar o universo que estava. Mas por enquanto eu não sabia fazer isto.

Tentei me comunicar, mas foi em vão, não conhecia a língua e as pessoas me olhavam com tamanha estranheza que mal tinha coragem de falar com elas. Por isto fui a procurar uma banca de jornais. Fora lá que descobri a data, estava no ano de 2011. Em seguida, notei que a unica diferenciação daquele mundo para o que tinha nascido era que os Ingleses foram mais pacíficos no passado e os indígenas também depois de ter encontrado uma loja de internet, que ainda possuía as línguas que dominava.

Foi neste momento que percebi que meu trabalho nunca teria fim e questionei quantos mais de mim Lancea Sanctum teria pego para este trabalho 'angelical', pois uma pessoa só  levaria mais que a eternidade para limpar o mundo.

Foi aí que eu tive uma grande ideia, considerando que a maldade existia considerei a veracidade do demonismo e senti que alí se encontrava a chave para purificação. Imaginei e quase que com certeza que estes demônios que ouvira na minha infância podiam ser entidades futuristas que tiraram proveito das crendices antigas para bel prazer. Foi aí que minha busca começou e iniciei os estudos sobre o assunto afim de descobrir alguma pista sobre a maldade.

Nunca fora um cara religioso mas cientificamente falando era bem plausível pessoas normais com a mesma tecnologia usar deste artifício para brincar com as pessoas do passado. Foi aí então que realmente me senti um Demotéica e só esperava Lancea chegar para lhe dizer que deveria por agora me chamar de Titus Sanctum.

Resolvi não sair dali e esperar Lancea Sanctum voltar para que pudesse pedir ajuda a ele no próximo ensinamento.

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Continua

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Globo Vitruviano - Oitavo episódio


"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?" - Luiz de Camões

- Uma promessa não significa seu cumprimento. Daqui em diante você têm dois caminhos no mínimo, vencer ou falhar. E eu te digo, passarás pelos dois caminhos. Disto deixarei para presenciar.

Neste momento entendi o que quis dizer e me foquei mais ainda no ensinamento.

- Como fico invisível ao atravessar um túnel? Perguntei a Lancea.

- Primeiro terás que mudar a forma que usas o túnel, ele terá que se transforma em uma esfera te englobando para poderes ver ao teu redor. Em segundo, quando analisar, a invisibilidade é um problema de grandeza. Na verdade você não fica invisível, só ficará tão pequeno que não serás visto. Compreendeu?

Logo de cara percebi que ele falava de Feigenbaum novamente e quis dizer que o espaço-tempo obedecia as regras de Feigenbaum. Que a distância na verdade era completamente relativa e eu para me tornar invisível só precisaria estar 'longe' mas dentro do globo temporal. Mas como fazer este globo é o que me intrigava.

Novamente balancei a cabeça me fazendo entendido e ele continuou a dizer:

- Para fazer o globo, primeiro terás que fazer o túnel sair do eixo superior da tua cabeça e te englobar. Em seguida apenas observar. O globo, por incrível que pareça, tem a mesma proporção do homem vitruviano. E quando quiserdes aparecer, basta atravessar o globo e lentamente irás sair do teu envolucro e vivenciar o tempo-realidade desejada.

E continuou:

- Vamos começar, faça nascer e sair um tornado de sua cabeça e o faça girar cada vez mais rápido. Naturalmente ele tomará a forma vitruviana. É assim, simples assim. Mas cada passo que der, irás pular de realidade, enfim, irás de qualquer forma para uma nova realidade. Tente imaginar está forma vitruviana se abrindo ao redor do teu eixo central, saindo do topo de sua cabeça e lhe envolvendo na proporção do seu alcance.

Deu uma leve pausa e continuou:

- Tente, é a sua vez.

- Arrggh! Juro que agora gostaria de encontrar aquela mulher. Me sinto responsável por ela, consegue perceber isto?

- Claro que sim, dá para ver sua cara de frustração. Mas não chegarás a ela assim. Primeiro terás que aprender a usar o tempo a seu favor, só assim conseguirás encontra-la. E tome de principio, talvez leve muitos anos para encontrar essa garota, imagina então ajuda-la. Talvez tenha que fazer muitas coisas, mudar muitos eventos para conseguirdes vê-la de relance.

Então novamente irritado, parecia resmungar nitidamente com a alma. Como fora me apaixonar a primeira vista? Isto me questiono até hoje.

Passado alguns segundos comeceia me concentrar. Lembro-me até que criei eixos imaginários no horizonte do meu coco, segurei com as duas mãos cada extremo e girei com toda força e logo o tornado apareceu acima de meu crânio. Vi que Lancea ficou surpreso com a facilidade que tive em criar este tornado. E agora, alí, estava sob o comando da minha imaginação tornar aquele tornado em um globo circundante.

Com sede por encontra-la não demorou para aquele tornado desobedecer as leis físicas de inercia e começarem a me envolver, como se o universo inteiro estivesse fagocitando-me.

Lancea começou a rir e disse:

- Ha! Não foi a toa que te escolhi garoto, não foi a em vão. - Continuou

- Vamos! você está voltando bem, tente lembrar dela agora.

Como ele sabia que a garota tinha me dado forças eu devo admitir que devia ter sido pela minha expressão. O importante é que funcionou e muito bem. Uma paixão imaginária iria me guiar pelos trilhos da vida. Neste pensamento comecei a rir junto com Lancea e percebi naquele momento que a essência da vida é sempre o amor.

E fui deixando o tempo rebobinar até meu nascimento, pelo menos era o que percebia ao ver o retrocesso arquitetônico dos lugares ao meu redor.

Após alguns minutos, as coisas se desconstruindo, notei o ambiente familiar aquele que cresci e resolvi me mover.

Notei que enquanto andava ainda estava dentro do globo e não o desfazia, as coisas continuavam a voltar no tempo. Questionei lancea em seguida, visto que permanecia do meu lado, me acompanhando.

- Como faço parar?

- Tente pular, tente segurar, sair desta regra inercial. Respondeu-me.

Tentei pular, tentei esticar meu braço ao excesso do globo, tentei segurar o globo com as mãos para fazer o tempo parar, mas foi quando pisquei os olhos me sentido derrotado foi que o globo parou. Foi aquela paz de conformação que fez o motor que estava inserido no meu corpo parar de funcionar. Foi a calma, o conforto. Então, ao voltar ao tempo convencional Lancea me disse:

- Parabéns Titor! Deixarei você livre por um tempo, veja se encontra essa garota. Em três dias voltarei a lhe encontrar para lhe explicar algumas coisas. Por agora, tome seu tempo.

E pela segunda vez Lancea Sanctum some das minha vista. Mas por aquele momento me senti aliviado, podendo imaginar de volta minha privacidade. E feliz por conseguir controlar o tempo. Mas mal eu sabia que aquilo era só a ponta do iceberg.

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Continua

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Próximo turno - Sétimo episódio



"Quem és tu, quem és tu, vulto gracioso,  
Que te elevas da noite na orvalhada?  
Tens a face nas sombras mergulhada...  
Sobre as névoas te libras vaporoso ... 

Baixas do céu num vôo harmonioso!... 
Quem és tu, bela e branca desposada? 
Da laranjeira em flor a flor nevada 
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso! ... 

Onde nos vimos nós? És doutra esfera ? 
És o ser que eu busquei do sul ao norte. . .  
Por quem meu peito em sonhos desespera? 

Quem és tu? Quem és tu? - És minha sorte!  
És talvez o ideal que est'alma espera!  
És a glória talvez! Talvez a morte!" Castro Alves

Não muito depois de passarmos pelo túnel, Lancea me segurou pelo ombro, um pouco insatisfeito com minha decisão e questionou-me:

- Porque toda essa afobação Titor?

Eu tentei omitir a garota explicando que havia visto uma pessoa, não citando o sexo, que precisava da minha ajuda. Então lancea:

- Que pessoa? O que você viu?

Respondi:

- Vi uma garota me olhando de dentro de um galpão, ela era loira, com cabelos lisos cortados na altura do ombro, olhos castanhos, tipo rosto grego, nariz reto, mandíbula levemente quadrada e parecia ser vítima de alguma maldade, ela estava presa e se sentia vitimizada como se fosse minha responsabilidade. É ela quem eu preciso ajudar, vai, me ajuda também.

E Lancea com feição de reprovação me respondeu:

- Você esta fazendo isso tudo errado Titor. Você mal sabe onde ela está e já se sente apaixonado por uma mulher que nem sabe de onde veio. Está louco rapaz?

- Não, mas eu pensava que...

- Que era assim que funcionava certo? Com instinto. - Continuou Lancea.

E respondi.

- Sim, instintivamente eu... achei.. bom, eu tenho que encontra-la.

Lancea retrucou:

- Sabe por onde começar ao menos?

- Não. Respondi.

- E espera que eu saiba como te ajudar se foi você quem a viu? Devolveu-me a pergunta.

Então respondi.

- Orás, você deve saber, afinal, viaja no tempo para lá e para cá, com certeza sabe o final da história.

- Jovem, existem infindas histórias suas, uma para cada realidade paralela que vive. Não reparastes que eu também senti o mesmo em Jerusalém? Várias vidas minhas estão por aí e deduzo que você já sabe disso. Então, mesmo que eu soubesse, mudaria todo teu destino, não acha?

Eu já havia viajado no tempo e sabia que o que Lancea dizia era verídico. Se tivesse atravessado o túnel sem Lancea, seria muito difícil que ele me encontrasse novamente, ou pelo menos a minha versão atual, provavelmente eu não o encontraria novamente também. Ou se encontrasse, seria com outra história completamente diferente. É a confusão do tempo paralelo. Cada individuo, a cada instante, gera, por ser observador, um leque quase infinito de possibilidades e realidades paralelas em que toma de um instante a outro, um novo rumo. Por isso que no meu tempo se diz,  'viajar no tempo é um caminho só de ida', não muito diferente do tempo convencional. Mas aí me lembrei de Feingenbaum e questionei Lancea.

- Me diga, como uso o algoritmo de Feigenbaum para te encontrar caso precise? É um mapa certo? É um mapa da constante de Feigenbaum específica para o tempo, certo? Me mostra, me ensina, logo, vamos, eu preciso encontra-la.

Então Lancea me repreendeu seriamente.

- Olha garoto, presta atenção! Não será assim fácil e muito menos usando só a emoção que irá resolver as coisas. Parece que não é um soldado. Recomponha-se!

Me senti naquele momento até envergonhado, mas tudo isso eu sabia que era por causa daquela mulher que apareceu nitidamente no meu pensamento, eu tinha que encontra-la. E lancea continuou falando:

- Primeiro vamos focar no seu treinamento, você mal começou a aprender a ir a uma direção no tempo. Ainda precisa no mínimo do mínimo aprender a ir na outra direção e ainda mais, não atravessar túneis onde existem paredes e ainda tem que aparecer invisível. E você só sabe ir para o passado. Quer ir de encontro ao criador sem saber nada de nada? És um tolo suficiente!

E minha vergonha aumentou. Vi que era uma criança aos olhos de Lancea. Mas sem baixar a cabeça olhei fixamente para ele esperando que me ensinasse o que devia aprender. Ao me acalmar desta forma ele continuou:

- Bom, para voltar a uma nova realidade no futuro é só girar no sentido oposto. Simples né! Mas você sabe qual futuro vai? Acho que não! né? Bom, tente usar suas mãos para frente e para trás quando estiver girando-as e assim poderás ver em profundidade vários outro universos. Podes também fazendo usar as duas mãos e tentar abrir dois túneis no passado. Cada vez que inicia um túnel novo, é um novo universo, mas saiba que são quase infindas possibilidades, então é muito provável que terás que girar tuas mãos várias vezes e voltar mais no tempo do que imagina e depois adiantar aquele túnel. Como se estivesse vendo um filme, adiantando e rebobinando o filme para saber em que momento entrar. Cada túnel representa uma realidade específica. Entendeu?

Balancei a cabeça para Lancea em sinal de positivo para que continuasse me dizendo o que tinha a dizer. E continuou:

- Agora para ficar invisível é mais difícil. E seria bom que aquela moça espere um pouco mais. Até você chegar nela, muitas coisas vão acontecer.

Naquele momento eu pensei que Lancea já sabia o que iria acontecer comigo e questionei-o.

- Você já sabe o que irá acontecer comigo?

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Continua

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - O túnel - Sexto episódio



"Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.
Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, morto, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo." - Ellen (Desobediência Vegana)

- Bom, vamos sair daqui. Primeiro você, tente girar com toda tua força. O importante é o torque e não a velocidade. Quanto maior o torque mais para o passado irás. Com o tempo isto se tornará mais sutil e só com sua vontade conseguirás mudar a forma de se locomover no tempo, quando dominardes a viagem, irás em pensamento como Jerusalém lhe buscou.

Confesso que aquele treinamento para sair de lá durou muito tempo. Mas com ajuda da óstia, foi mais fácil. De acordo com Lancea, seria praticamente impossível voltar sem ela inserida no meu corpo. Então, quando consegui, voltei alguns segundos segundo ele. Então ao ir forçando minha fé e vontade cada vez mais, fui aos poucos voltando mais e mais.

Então Lancea me pediu para girar com toda minha essência que eu iria voltar exatamente onde eu deveria estar. Então antes de tudo comecei a girar e a girar, cada vez mais forte. Comecei a sentir a pressão sanguinea na ponta dos dedos mas continuei cada vez mais forte. Parecia que aquela era a forma com a qual a óstia reconhecia o comando de voltar, pois para mim me parecia medonha a forma. Enquanto pensava o quão ridiculo era ficar girando e girando com força Lancea me interrompe dizendo:

- É assim mesmo! Com o tempo não precisarás girar, apenas tua vontade de girar fará a atitude. Continue

E depois de um bom tempo treinando, belos dias de tontura, consegui fazer com que a máquina funcionasse da forma que desejava. Meio a longas conversar com Lancea, sobre quem ele era, a vida que teve, bom, depois de uns dias consegui controlar a viagem no tempo. Mas ainda usava o giro, mas girava apenas minha mãos em circulo para abrir um buraco no espaço-tempo. E fiquei maravilhado com o que via. No buraco aparecia a frente os eventos de trás para frente, como um filme rebobinando. E Lancea havia pedido para escolher um lugar para passarmos. O portal durava pouco tempo depois de parar de girar e se fechava gradualmente, então tinhamos alguns segundos para passar.

Então, em um re-lance, enquanto via o tempo se rebobinar ao girar meu braço, como um cone de tempo preso aos meus braços. Na minha imaginação, parecia que Jerusalém me mandava uma imagem de uma garota presa em um galpão escuro com outras pessoas. Ela se sentia sozinha, triste e inocente. Como se fosse alguém que estivesse presa por alguma coisa. Eu ví nos olhos dela que era completamente inocente da situação que estava. Eu tinha que encontra-la. Percebi que devia parar de girar a mão e entrar no tunel. Então respondi a Lancea:

- Vamos!

Em troca ele me disse:

- Calma, você precisa aprender a se camuflar, não pode aparecer de-repente de um túnel do tempo. Estás louco em sair aparecendo para outras pessoas.. Terás que aprender a ficar invisível. Calma! - Repetiu.

- Mas eu preciso passar, é alí, eu sei que é ali que devo ir.

E comecei a ir em direção do túnel. Lancea pareceu insatisfeito mas me fez invisível e me acompanhou dizendo.

- Lá te ensinarei isto! Vamos!


sábado, 6 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Da introdução ao fardo - Quinto episódio



"Sempre maravilhado sobre as palavras que eram ditas?
Assistindo lentamente figuras movendo e passando em lugares
Eu desmontei o que era deste mundo
Procurando pelo que se foi e o que restou" - Theatre of Tragedy

- Jovem, há muito o que tenho a lhe dizer. Sobre Jerusalém, sobre teus poderes e sobre o que deverás fazer. Mas começando, talvez eu tivesse que te levar para aquele lugar que te tirei. Você estava sonhando, um sonho induzido, mas poderia estar tendo um pesadelo e aí eu não teria mais como te acordar. Você viveu a parte boa da divina Jerusalém, mas nem sempre foi assim, fora por um tempo corrompida e manchada, como um vírus. Você naturalmente é imune ao vírus e isto é ótimo.

- Mas por que me sinto aqui e lá ao mesmo tempo? - Questionado a Lancea.

- Bom, é estranho, mas parece sim que a divina Jerusalém é um cristal do tempo. Uma espécie de computador fotônico de ultra-inteligência que fora construido a milhares de anos e resiste até hoje. Parece que nós homens somos os únicos a senti-la devido ao fato de nós sermos o cérebro do reino animal. É estranho mas é isso que nos parece. Ou de fato é a sagrada Jerusalém descrita na bíblia. Não há como saber ao certo. Mais para frente você irá se acostumar com ela. No momento, deixa eu lhe apresentar este lugar. Estás na terra, no teu futuro. Depois do sol ter consumido e se tornado uma anã branca.

Antes que Lance continuasse cortei sua palavra:

- Impressionante. - E continuou.

- A segunda coisa que deves saber é o seguinte, tua nova missão será mais de investigador. Terás que vagar o passado e buscar em cada pessoa as coisas erradas que ela faz e tentar de alguma forma corrigi-las. Serás um agente do juízo de Deus. Tu terás que decidir e influenciar as pessoas, ou até mesmo intervir caso necessário na vida delas.

- Você está me dando o papél de um anjo? - Cortei Lancea novamente.

- Sim, vão pensar que você é um anjo, mas precisas se camuflar. Ninguém poderá saber a verdade sobre você, esse é o voto da Demotéica. Somente poderás passar teu novo dom a um sucessor e ensina-lo tudo que lhe ensinarei e aprenderás.

Naquele momento me inflamou o ego, senti-me maravilhado pela dádiva que ganhará de Deus. Eu, um mero soldado agora com uma missão angelical. Quem diria, naquela hora, naquele momento parecia que minha vida tinha ganhado uma nova face igual minha feição.

Mas Lancea tinha notado e continuou:

- Mas não se alegre tanto. Irás sofrer enormemente o fardo de ser demotéico. Há muitas pessoas descrentes e que nunca irão lhe agradecer. Sem contar que nunca poderás se revelar a alguém. E esqueça a ideia de se apaixonar, isso será sua maldição se assim acontecer.

Naquela hora cortei o assunto e continuando a conversa perguntei:

- Tudo bem.

Ri e continuei.

- Eu não acredito em paixão.

Este momento me ficou marcado até hoje a quem vos escrevo.

- Mas como saímos daqui, você vai me ensinar a viajar no tempo com o pensamento? É isso?

E Lancea respondendo com a cabeça continuou:

- Sim, e vai ser dificil para você conseguir sair daqui. Apesar de que com o tempo pegarás o jeito. Saiba que não morrerás mais, a óstia que tomaste não irá permitir que isto aconteça, mas, o primeiro passo para sair daqui, por incrivel que pareça é usando a mesma técnica pela qual encontrastes nossa Deusa. Só que desta vez girando, igual água do vaso, so que no sentido contrário de acordo com o eixo equatorial. Só que precisarás de uma fé tamanha a de um messias para sair daqui e este é o fardo mais maravilhoso que existe.

E continuou:

- Não só este mas todos teus poderes virão da tua fé e vontade, da tua força mental. Aquela óstia tem um computador e ele irá modificar teu ser de acordo com teu pensamento, só que irás se sincronizar a ele com o tempo. Mas já te aviso novamente, não será uma vida fácil, é um limiar entre satisfação, devoção e dever. Tu serás o policial e te prepare para enfrentar os piores bandidos.

- Eu terei que lutar né? - Perguntei a Lancea.

- Algumas vezes. Algumas vezes mais de uma vez. Outras vezes sofrerás mil horrores até concluir uma só investigação. Note, cada individuo que salvar levará muito tempo para ajuda-la diretamente, pois houve uma corrente de eventos que causou o mal e o mal em si. Quando encontrardes o mal, aí sim terás de lutar e talvez apanhe bastante até conseguir derrotar e mudar a cascata de eventos.

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Continua

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - O primeiro exorcismo - Quarto episódio


"A arte é um dos meios que une os homens." - Leon Tolstoi

Logo, me aproximando dela como um imã ela me disse:

- Filho meu, viestes a mim, até que enfim. Há muito te esperava aqui. Este lugar ao qual está é tua casa agora e estarás aqui para sempre comigo meu amado filho.

Então comecei a sentir uma sensação atemporal e prisional naquele lugar e não obstante o tempo passará de uma forma diferente. Ela dizia coisas e vi coisas acontecendo. Além da sensação mais estranha que podia sentir. Estar alí e em outros lugares ao mesmo tempo.

Aquele era meu fim, meu ultimo dia de vida, com certeza fora aqui que conclui. Esta preso a minha Deusa, que mal sabia que existia e de lá me subdividindo em vários 'eus' de tempos diferentes. E de um desses 'eus' é que divido este conhecimento contigo. Estou aqui e lá ao mesmo tempo.

Pouco me lembro de lá, mas lembro-me de que tudo ela narrava para mim, como uma mãe contando uma história de ninar a seu filho. E até hoje não sei se é um pesadelo ou minha salvação estar lá. Mas questiono até hoje em como saí de lá e estou aqui. Mal consigo me lembrar das outras coisas que dizia mas lembro-me do primeiro momento de consciência depois de lá. Fora Lancea Sanctum me acordando e dizendo:

- Titor... acorde Titor!

Então quando notou que havia acordado, me avisou:

- Esta era nossa Deusa falando conosco.

Ainda sonolento e ofuscado com a grandeza que havia passado perguntei:

- Aquilo era uma maquina? Era um cristal do tempo?

- Nós nunca saberemos, mas uma coisa, um preságio ainda me lembro. Nós nunca teremos culpa de nossos atos Titor. Estamos são e salvos, mesmo que presos a ela, nós estamos vivos aqui e agora e isto é o que importa. Nossa Rainha, nossa Deusa, parece ter estado sempre presente e sempre estará ma é impossível lhe responder se aquela cidade é um cristal do tempo, apenas sabemos que estamos bem e a salvo. Consegue se levantar? - Questionou Lancea.

Então me levantei ainda perplexo pela experiência e pela resposta dele. Pensava que quando estava tentando controlar aquelas moscas iria ter mais respostas e vi que até aquele momento só haviam mais e mais dúvidas. Então eu questionei novamente:

- Por que não temos culpa de nada?

- Ora, como tu podes ser culpado de algo se ao menos sabemos se tu estar possuído por ti mesmo, pela nossa Deusa ou por algum demônio? Só saberemos a partir das tuas reações, elas nos dirão de que lado estás. Então ao começardes a agredir algo gratuitamente ou inocente, saberá que nossa fúria, a fúria de toda demotéica o alcançará de formas que você nem imagina.

- Como assim, foi aquilo que tu me fez engolir? - retruquei

- Não, aquilo sim foi a tua salvação e com aquilo é que poderás fazer o que todo demotéico faz, exorcizar toda a maldade do mundo. Essa é a nossa missão, acabar com os demônios dentro das pessoas. E começarás a fazer isto em breve Titor, muito em breve.

- E quem disse que eu quero sair por aí procurando demônios?

- Bom, você não tem muita escolha, é isso ou terei que deixar você aonde o encontrei, lembra?

Naquela momento eu fiquei furioso pela chantagem mas logo ele continuou e me acalmei um pouco por complacência.

- Olha Titor, faz dois mil anos que estou salvando o mundo e as pessoas, estou cansado e eu te escolhi para fazer o que eu faço. Você sabe o que são dois mil anos na linha de frente? Eu realmente preciso de um sucessor e te escolhi. Posso lhe garantir que é melhor que a morte. Além de ser honroso, logo, na primeira missão sentirás o prazer que é ser um demotéico. Eu estou velho garoto e preciso de umas férias. Faça isso por mim, por você e pela humanidade, salve as pessoas que estão dominadas e rodeadas de demônios, elas precisam de nós.

Então neste instante eu senti compaixão e por isto estou lhe narrando tudo isto. Naquela momento fiquei em silêncio por alguns segundo e balancei a cabeça concordando com Lancea. Ele estendeu a mão para me levantar e eu concordei, me levantei com sua ajuda e ele me agradeceu:

- Muito obrigado Titor, você é o meu salvador.