"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?" - Luiz de Camões
- Uma promessa não significa seu cumprimento. Daqui em diante você têm dois caminhos no mínimo, vencer ou falhar. E eu te digo, passarás pelos dois caminhos. Disto deixarei para presenciar.
Neste momento entendi o que quis dizer e me foquei mais ainda no ensinamento.
- Como fico invisível ao atravessar um túnel? Perguntei a Lancea.
- Primeiro terás que mudar a forma que usas o túnel, ele terá que se transforma em uma esfera te englobando para poderes ver ao teu redor. Em segundo, quando analisar, a invisibilidade é um problema de grandeza. Na verdade você não fica invisível, só ficará tão pequeno que não serás visto. Compreendeu?
Logo de cara percebi que ele falava de Feigenbaum novamente e quis dizer que o espaço-tempo obedecia as regras de Feigenbaum. Que a distância na verdade era completamente relativa e eu para me tornar invisível só precisaria estar 'longe' mas dentro do globo temporal. Mas como fazer este globo é o que me intrigava.
Novamente balancei a cabeça me fazendo entendido e ele continuou a dizer:
- Para fazer o globo, primeiro terás que fazer o túnel sair do eixo superior da tua cabeça e te englobar. Em seguida apenas observar. O globo, por incrível que pareça, tem a mesma proporção do homem vitruviano. E quando quiserdes aparecer, basta atravessar o globo e lentamente irás sair do teu envolucro e vivenciar o tempo-realidade desejada.
E continuou:
- Vamos começar, faça nascer e sair um tornado de sua cabeça e o faça girar cada vez mais rápido. Naturalmente ele tomará a forma vitruviana. É assim, simples assim. Mas cada passo que der, irás pular de realidade, enfim, irás de qualquer forma para uma nova realidade. Tente imaginar está forma vitruviana se abrindo ao redor do teu eixo central, saindo do topo de sua cabeça e lhe envolvendo na proporção do seu alcance.
Deu uma leve pausa e continuou:
- Tente, é a sua vez.
- Arrggh! Juro que agora gostaria de encontrar aquela mulher. Me sinto responsável por ela, consegue perceber isto?
- Claro que sim, dá para ver sua cara de frustração. Mas não chegarás a ela assim. Primeiro terás que aprender a usar o tempo a seu favor, só assim conseguirás encontra-la. E tome de principio, talvez leve muitos anos para encontrar essa garota, imagina então ajuda-la. Talvez tenha que fazer muitas coisas, mudar muitos eventos para conseguirdes vê-la de relance.
Então novamente irritado, parecia resmungar nitidamente com a alma. Como fora me apaixonar a primeira vista? Isto me questiono até hoje.
Passado alguns segundos comeceia me concentrar. Lembro-me até que criei eixos imaginários no horizonte do meu coco, segurei com as duas mãos cada extremo e girei com toda força e logo o tornado apareceu acima de meu crânio. Vi que Lancea ficou surpreso com a facilidade que tive em criar este tornado. E agora, alí, estava sob o comando da minha imaginação tornar aquele tornado em um globo circundante.
Com sede por encontra-la não demorou para aquele tornado desobedecer as leis físicas de inercia e começarem a me envolver, como se o universo inteiro estivesse fagocitando-me.
Lancea começou a rir e disse:
- Ha! Não foi a toa que te escolhi garoto, não foi a em vão. - Continuou
- Vamos! você está voltando bem, tente lembrar dela agora.
Como ele sabia que a garota tinha me dado forças eu devo admitir que devia ter sido pela minha expressão. O importante é que funcionou e muito bem. Uma paixão imaginária iria me guiar pelos trilhos da vida. Neste pensamento comecei a rir junto com Lancea e percebi naquele momento que a essência da vida é sempre o amor.
E fui deixando o tempo rebobinar até meu nascimento, pelo menos era o que percebia ao ver o retrocesso arquitetônico dos lugares ao meu redor.
Após alguns minutos, as coisas se desconstruindo, notei o ambiente familiar aquele que cresci e resolvi me mover.
Notei que enquanto andava ainda estava dentro do globo e não o desfazia, as coisas continuavam a voltar no tempo. Questionei lancea em seguida, visto que permanecia do meu lado, me acompanhando.
- Como faço parar?
- Tente pular, tente segurar, sair desta regra inercial. Respondeu-me.
Tentei pular, tentei esticar meu braço ao excesso do globo, tentei segurar o globo com as mãos para fazer o tempo parar, mas foi quando pisquei os olhos me sentido derrotado foi que o globo parou. Foi aquela paz de conformação que fez o motor que estava inserido no meu corpo parar de funcionar. Foi a calma, o conforto. Então, ao voltar ao tempo convencional Lancea me disse:
- Parabéns Titor! Deixarei você livre por um tempo, veja se encontra essa garota. Em três dias voltarei a lhe encontrar para lhe explicar algumas coisas. Por agora, tome seu tempo.
E pela segunda vez Lancea Sanctum some das minha vista. Mas por aquele momento me senti aliviado, podendo imaginar de volta minha privacidade. E feliz por conseguir controlar o tempo. Mas mal eu sabia que aquilo era só a ponta do iceberg.
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Continua

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