segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HQ: O Exorcista, uma conspiração - Universo Maya - Primeiro dia sozinho - Décimo episódio



"Se me perguntar quem sou eu, 
Acho que responderia, apenas sonhadora...
Criaram tantas profissões, tantos títulos,
Que fica difícil listar e concluir O QUE nós queremos ser...
Os sonhos foram limitados, e nos perguntam o que vamos ser da vida?
Dentro das opções que cabem na nossa vida.
Ora, quem gostou dessas opções foram vocês e não nós.
Engessaram os sonhos em diplomas,
Intitularam os amores em jóias" - Gabriela A. Bauer

Lancea disse que eu teria mais poderes então fui tentando imaginar que tipos de poderes seriam. Pelo que tinha entendido naquela época bastava usar o pensamento, que meus poderes obedecem meu pensamento. Aí questionei o limite disto, eu não era um cara lá criativo, e se meu inimigo fosse mais inteligente... vou ter muitos problemas e ele avisou que eu sofreria bastante. Ainda aquela cidade de luz que parece que estou lá e aqui sem ao menos entender alguma outra coisa que ela me dizia, parecia uma eternidade. Todas estes pensamentos vieram a mim enquanto caminhava pela cidade procurando um local para observar.

Eu era um estranho por lá, a cidade dominada por indígenas ocidentalizados, era bem diferente do que costumara viver. Até as pessoas me olhanvam de uma forma diferente da do comum. Era outro universo, outro mundo, minha postura e costume eram bem diferentes do que estavam ao redor. Mas após uns minutos de caminhada cheguei a uma praça e encontrei um banco vazio para me sentar e observar aquele mundo diferente que vira. Sentei e fui a pensar.

Bom, já que tenho agora poder sobre o tempo, como eu faço para não sair pulando de universo a outro. Ir direto para o futuro do mesmo universo? Fora uma questão interessante que demorei algum tempo para entender. Muito mesmo tinha a ver com a constante de duplicidade de Feigenbaum. Descobri que se eu olhasse para o inicio do universo e sua expansão como meias laranjas se atravessando e viajasse ou fosse mais rápido no tempo em que a luz da história que dividiu dois universos, então, eu mudaria de realidade. Se fosse lentamente ou no limiar de uma modificação história, a velocidade com que meu globo girasse determinaria para qual universo iria. Mas isto era um problema sério de tempo, pois para me manter em um universo, indo para quaisquer direção eu teria ou que viajar próximo a velocidade da luz ou se voltasse ao tempo, não ultrapassar a luz propagada pela história daquele universo. Nos dois casos eu teria de esperar muito tempo parado e vi que era um pouco sofrido demais viajar no tempo de modo a me manter no mesmo universo. Mas como histórias diferentes se encaixavam ou se cruzavam em tecnologia só me vem a antropologia em mente, é da vontade do homem evoluir. Pelo jeito eu vi que seria sofrido ou pelo menos teria que arrumar algum mecanismo para viajar rápido para o mesmo universo, mas ainda assim percebi a entropia de que os universos convergiam de um mesmo passado principal. Deixei isso de lado por um tempo, apesar de ter quase certeza que haveria de ser assim.

Então sentado no banco daquela praça, olhando ao redor para ver que momento eu passaria despercebido, acionei meu globo temporal. Resolvi testar a ausência de velocidade. Fui fazendo pressão no corpo e descobri que quanto maior a pressão que fazia em mim, mais rápido o tempo passava. Então relaxei, queria ver como é observar o universo quase parando.

Além de relaxar fui ficando cada vez mais concentrado, precisava me concentrar e ficar imóvel para que pudesse observar bem o mundo indo para o futuro cada vez mais lentamente. Foi aí que me surpreendi pois deveras o mal existia. Uma das pessoas que passava pela rua, fechada, franzindo seu corpo, bom, como explicar.. conforme a frequência de velocidade diminuía, e enxerguei o mundo a mais de vinte e quatro quadros por segundo, notei que naquele homem se formava uma cabeça sussurrando seu ouvido muito rapidamente e sumia e logo depois re-aparecia em outros quadros. Pelo que me pareceu, aquilo era maldade, quem tem o direito de sussurrar no ouvido de alguém sem seu consentimento? Estava alí o que eu precisava descobrir, o que era aquele vulto e se o vulto era bom ou mal, afinal, mal sabia os motivos daquele homem estar tão fechado e franzido. Mas entendi que uma das formas que esses demônios poderiam usar seria os 'flashes' temporais que o olho humano não captava, era perfeito, aparecer em um espaço de tempo imperceptível aos olhos humanos seria o mesmo que estar invisível.

Fiquei muito intrigado com o que vira, mas não podia tomar nenhum partido naquele momento, eu ainda não sabia o que fazer e meu método de viajar no tempo ainda era muito lento em relação aqueles vultos. Não seria fácil para eu competir com o que eu nem sabia o que era.

Mas tive vontade ao menos de que se soubesse a linguagem que falavam naquele momento poderia entrevistar aquele homem franzido apenas para tentar tirar dele alguma pista. Decidi naquela hora voltar ao tempo normal, passar novamente numa loja de internet para descobrir uma forma de ir para Inglaterra, mesmo que tivesse que assaltar alguém para conseguir o dinheiro.

Nessa hora dei uns tapas no meu ouvido pensando que porcaria foi esta que havia imaginado.

- Mas que droga!!

Olhei ao redor de mim mesmo, fiquei irado, naquele momento sabia que aquilo não vinha de mim e sim fora um sentimento ganancioso, mas mesmo assim me questionei de onde veio aquilo, teria sido de mim mesmo? Comecei a compreender dali outro fardo. Será que teria eu que me permanecer imóvel? Será que até meus movimentos estavam comprometidos? Será que tudo que eu faço é controlado? Onde estava minha bondade, minha vontade de ajudar? Onde estava o demônio que me fez sentir aquilo? Onde eu estava? Que loucura que me veio naquele momento. Olhava para as pessoas na rua como se eu fosse um completo esquisito e parecia um surtado. Decidi caminhar numa direção, depois ficava em duvida e decidia voltar a loja, mas só por curiosidade. Aquilo foi me deixando doido, precisava ver Lancea o quanto antes, estava ficando com medo de tudo.

Ainda pouco tempo passado me questionei como eu faria para me sustentar naqueles três dias? Ora, eu não tinha dinheiro, não tinha aonde dormir, eu teria que roubar? Que loucura... cadê aquele cara para me ajudar. Liguei imediatamente meu casulo temporal com medo do que podia acontecer e pouco me importei com as pessoas ao redor, precisava me proteger e de alguma forma me acalmar.

Saí correndo dali, já não tinha fome ou vontade de qualquer outra coisa, simplesmente saí correndo, apenas querendo estar invisível e em pânico me escondi em um beco escuro da cidade.

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