"Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.
Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, morto, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo." - Ellen (Desobediência Vegana)
- Bom, vamos sair daqui. Primeiro você, tente girar com toda tua força. O importante é o torque e não a velocidade. Quanto maior o torque mais para o passado irás. Com o tempo isto se tornará mais sutil e só com sua vontade conseguirás mudar a forma de se locomover no tempo, quando dominardes a viagem, irás em pensamento como Jerusalém lhe buscou.
Confesso que aquele treinamento para sair de lá durou muito tempo. Mas com ajuda da óstia, foi mais fácil. De acordo com Lancea, seria praticamente impossível voltar sem ela inserida no meu corpo. Então, quando consegui, voltei alguns segundos segundo ele. Então ao ir forçando minha fé e vontade cada vez mais, fui aos poucos voltando mais e mais.
Então Lancea me pediu para girar com toda minha essência que eu iria voltar exatamente onde eu deveria estar. Então antes de tudo comecei a girar e a girar, cada vez mais forte. Comecei a sentir a pressão sanguinea na ponta dos dedos mas continuei cada vez mais forte. Parecia que aquela era a forma com a qual a óstia reconhecia o comando de voltar, pois para mim me parecia medonha a forma. Enquanto pensava o quão ridiculo era ficar girando e girando com força Lancea me interrompe dizendo:
- É assim mesmo! Com o tempo não precisarás girar, apenas tua vontade de girar fará a atitude. Continue
E depois de um bom tempo treinando, belos dias de tontura, consegui fazer com que a máquina funcionasse da forma que desejava. Meio a longas conversar com Lancea, sobre quem ele era, a vida que teve, bom, depois de uns dias consegui controlar a viagem no tempo. Mas ainda usava o giro, mas girava apenas minha mãos em circulo para abrir um buraco no espaço-tempo. E fiquei maravilhado com o que via. No buraco aparecia a frente os eventos de trás para frente, como um filme rebobinando. E Lancea havia pedido para escolher um lugar para passarmos. O portal durava pouco tempo depois de parar de girar e se fechava gradualmente, então tinhamos alguns segundos para passar.
Então, em um re-lance, enquanto via o tempo se rebobinar ao girar meu braço, como um cone de tempo preso aos meus braços. Na minha imaginação, parecia que Jerusalém me mandava uma imagem de uma garota presa em um galpão escuro com outras pessoas. Ela se sentia sozinha, triste e inocente. Como se fosse alguém que estivesse presa por alguma coisa. Eu ví nos olhos dela que era completamente inocente da situação que estava. Eu tinha que encontra-la. Percebi que devia parar de girar a mão e entrar no tunel. Então respondi a Lancea:
- Vamos!
Em troca ele me disse:
- Calma, você precisa aprender a se camuflar, não pode aparecer de-repente de um túnel do tempo. Estás louco em sair aparecendo para outras pessoas.. Terás que aprender a ficar invisível. Calma! - Repetiu.
- Mas eu preciso passar, é alí, eu sei que é ali que devo ir.
E comecei a ir em direção do túnel. Lancea pareceu insatisfeito mas me fez invisível e me acompanhou dizendo.
- Lá te ensinarei isto! Vamos!

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